Ébola. 263 casos e 43 mortes confirmadas na RDCongo e Uganda reporta OMS

Ébola. 263 casos e 43 mortes confirmadas na RDCongo e Uganda reporta OMS

A República Democrática do Congo (RDCongo) e o Uganda relataram 263 casos e 43 mortes confirmadas por Ébola, duas semanas após a confirmação dos primeiros casos, anunciou hoje a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Lusa /
Gradel Muyisa Mumbere - reuters

Cinco profissionais de saúde receberam alta após serem infetados no socorro aos doentes, num total de 16 que foram infetados no surto inicial em Ituri, leste da RDCongo, e epicentro da crise de saúde.

A especialista da OMS Anaïs Legand reforçou os apelos aos cuidadores, lembrando que, "ao cuidar dos entes queridos, a pessoa pode contrair o vírus".

A OMS destaca que surtos de Ébola só são controlados quando há envolvimento pleno das comunidades, e que a resposta está também na orientação dada à população para reconhecer os sintomas e adotar as condutas adequadas.

Segundo Legand, sem tratamento específico, cinco em cada 10 pessoas infetadas provavelmente morrerão, já que a taxa de letalidade, neste caso, é de 50%.

O ressurgimento da doença ocorre num cenário crítico: apenas na província de Ituri, o epicentro da nova epidemia, mais de um milhão de pessoas necessitam de assistência humanitária devido ao conflito entre grupos étnicos. 

Desde a confirmação dos primeiros casos, várias agências da ONU e as força de paz da Missão das Nações Unidas no país, Monusco, entraram em ação para mitigar a crise.

O Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, já enviou mais de 100 toneladas de suprimentos à RDCongo, incluindo medicamentos e equipamentos médicos.

Hoje, o diretor regional da OMS para a África confirmou a entrega de uma nova remessa de materiais e auxílio médicos essenciais na cidade de Bunia, província de Ituri.  

Em visita ao país, o diretor-geral da OMS, Tedros Ghebreyesus, ressaltou que o apoio internacional é essencial para auxiliar o trabalho dos profissionais de saúde. 

"Estamos aqui para prestar o nosso apoio às populações e aos profissionais de saúde, mas também para apelar ao contributo da comunidade internacional", afirmou.

A OMS trabalha em conjunto com os Governos da RDCongo e do Uganda para conter a epidemia.

A variante identificada, Bundibugyo, apresenta taxa de letalidade entre 30% e 50%. Até agora, o combate ao ébola concentra-se em medidas tradicionais: testes rápidos, rastreamento de contatos e isolamento de pacientes. 

Para acelerar o desenvolvimento de soluções médicas, o Ministério da Saúde da RDCongo, a OMS e outros parceiros atuam para acelerar o início dos ensaios clínicos com vacinas e tratamentos já identificados. 

"O Ministério da Saúde, a OMS e os seus parceiros estão a trabalhar para realizar rapidamente ensaios controlados (...) sobre vacinas e tratamentos candidatos", afirmaram a agência da ONU e o Governo congolês numa declaração conjunta emitida esta madrugada.

A nota foi publicada após a missão que este fim de semana lideraram, em Bunia, os ministros congolenses da Saúde, Samuel Roger Kamba, e da Comunicação, Patrick Muyaya, e o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus.

 

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